segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um abraço do CRIA a toda a equipe da CIPÓ

É também nossa a dor que se abateu sobre a equipe de profissionais e educadores da CIPÓ - Comunicação Interativa, diante da notícia do assassinato de Bruno Marques Santos, 17 anos.

Negro, jovem, morador do Nordeste de Amaralina, Bruno vem engrossar uma triste estatística: dados do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep) dão conta que, nos primeiros nove meses deste ano, foram 1.290 assassinatos em Salvador, 34% acima do mesmo período de 2007. Entre as vítimas deste ano, estão contabilizados 82 adolescentes.

Hoje, o trabalho do CRIA atinge diretamente mais de cem adolescentes, que nos dão notícias diárias da violência a que estão sendo submetidos. Reiteramos a necessidade de nos unirmos para encontrar soluções para o genocídio a que está sendo submetida a juventude negra em nossa cidade.

Acreditamos na arte. Através dela, reinventamos os sonhos, paixões, a vida. Através da arte, revelamos a força dos jovens em sua busca por outras e novas possibilidades. Com arte, podemos criar um novo mundo.

Nosso grande abraço e força a todos da CIPÓ.

Equipe CRIA

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Agende-se: CRIA em ação pelo direito de brincar na pauta


“Ô, abre a roda, tindolê-lê...”: se depender do CRIA, as cantigas de roda não precisam fazer parte de um passado que foi esquecido. Está marcado para 05 de dezembro a culminância do projeto Cultura da Infância, desenvolvido por CRIA e Escola Municipal Cid Passos, no subúrbio de Salvador. Orientados por Lydia Hortélio, consultora do CRIA em Cultura da Infância, a atividade vai apresentar presépios de Natal, uma arte tradicional do sertão baiano, construídos pelas crianças e educadores da escola. Esta semana, já foi possível ter uma amostra do processo: cem crianças, com idades entre 4 e 5 anos, se divertiram com a apresentação dos resultados do projeto realizado com quatro turmas de educação infantil.

Pontos de Cultura reunidos sugerem diretrizes gerais ao Ministro


Ponto de Cultura desde o ano de 2005, o CRIA esteve presente no Teia 2008 – Terceiro Encontro Nacional dos Pontos de Cultura, que reuniu em Brasília, de 12 a 16 de novembro, representantes de mais de 600 Pontos de Cultura de todo o país.

Represente do CRIA no evento, Ana Paula Carvalho avaliou como positivo o encontro. “Ao mesmo tempo em que foi um local para que os Pontos se encontrassem para pensar o Programa e suas práticas, a Teia é um espaço muito rico para que a gente tenha contato com a diversidade cultural do país”, opina.

Durante a teia foi realizado também o II Fórum Nacional dos Pontos de Cultura. Da Bahia, participaram 31 delegados dos 68 pontos de cultura já existentes no Estado, e mais 50 convidados, como ouvintes, dos novos 150 pontos de cultura aprovados no último edital. O documento final do Fórum foi a Carta ao Ministro Juca Ferreira, disponível aqui.

Movimentos vêm solução na comunicação comunitária

O tratamento dado aos movimentos sociais pela mídia foi tema do seminário “Criminalização de ONGs e Movimentos Sociais no Brasil – articulando o enfrentamento coletivo”, que reuniu em Salvador na última semana representantes de organizações não governamentais, redes e fóruns da sociedade civil e movimentos sociais.

Promovido pela Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais – Abong, da qual o CRIA é associado, o evento teve como objetivo contribuir para um diagnóstico do contexto, tendo como foco o papel da mídia na criminalização das ONGs e dos movimentos.

A advogada Sara Cortês apresentou panorama histórico da criminalização. “Os negros escravizados no Brasil e que se refugiavam em quilombos já eram tratados como bandidos”, recordou, ao tempo em que explicava que o atual Código Penal ainda guarda resquícios desta época. “O crime de ‘vadiagem’ ainda está tipificado”.

Já a diretora da Abong, Taciana Gouveia, convocou os presentes a um resgate da rebeldia. “Somos considerados ‘foras-da-lei’ porque protestamos contra leis que consideramos injustas”, afirmou. “Não deveríamos nos ocupar em nos enquadrarmos na lei, mas em mudá-la”.

Durante o debate, o público sugeriu idéias para reverter o quadro. O investimento na comunicação comunitária foi um quase consenso. “Temos que criar nossos próprios canais de informação, para dar a nossa versão dos fatos”, afirmou Edmundo Kroger, diretor do Centro de Cultura Popular (Cecup).

Equipe CRIA sempre em formação

Como ampliar o alcance das ações realizadas pelas organizações não governamentais? O tema, conhecido como advocacy, foi tema de palestra realizada por Manoel Santos, consultor da organização internacional Save the Children, apoiadora do CRIA, para os membros da equipe e para os adolescentes e jovens da instituição.

As formas de participação das instituições junto aos poderes legislativo, propondo leis, e o judiciário, responsabilizando o estado por não cumprir seus deveres, foi um dos temas abordados. “Certamente, não é algo fácil ou que vá dar um resultado imediato”, afirma Manoel, “mas é uma das formas de potencializar a nossa ação”, completou.

A possibilidade de participação em Conselhos de Direitos foi outro assunto discutido. Para a equipe do CRIA, a palestra foi considerada essencial. “Sem dúvidas, esta é uma discussão que precisa ser estendida a todos, para que possamos definir e realizar cada vez melhor a nossa vocação institucional”, opina Eleonora Rabello, coordenadora da instituição.